Quem procura imóvel em Curitiba neste fim de 2026 encara dois números que puxam para lados opostos. O aluguel subiu quase 9% em doze meses. O financiamento segue caro, com a Selic em 13,75% ao ano.

A eleição presidencial encerrada em 25 de outubro acrescentou uma variável nova ao cálculo. Não a que muita gente imagina.

Este texto não vai dizer o que você deve fazer. Vai mostrar a conta que sustenta a decisão, com os dados disponíveis hoje.

O cenário em quatro números

A taxa básica de juros está em 13,75% ao ano. O boletim Focus de 26 de outubro projeta a Selic encerrando 2026 em 13,25%, com dois cortes de 0,25 ponto previstos para novembro e dezembro.

A inflação medida pelo IPCA-15 acumula 4,62% em doze meses. Em Curitiba, o mesmo índice aponta 2,43% — a capital paranaense está rodando bem abaixo da média nacional.

O crédito imobiliário segue ativo apesar do juro alto. Os financiamentos pelo SBPE somaram R$ 132,5 bilhões entre janeiro e agosto, alta de 37% sobre 2025, segundo a Abecip.

E as taxas de financiamento nos grandes bancos ficaram entre 10,26% e 11,99% ao ano, mais TR. A Caixa aparece na ponta mais baixa.

O que a eleição muda — e o que não muda

Lula foi reeleito em 25 de outubro com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. O quarto mandato vai de 2027 a 2030.

Para o mercado imobiliário, o efeito prático é de continuidade: menos incerteza sobre regras do setor, sobre programas habitacionais e sobre a política de crédito. Incerteza menor costuma se traduzir em prêmio de risco menor ao longo do tempo.

O que a eleição não faz é mudar a taxa do seu contrato. A parcela que você vai pagar depende da Selic, da TR, do seu perfil de crédito e da política de cada banco. Nenhum resultado eleitoral reescreve isso na segunda-feira seguinte.

Desconfie de quem promete queda imediata de juros por causa do resultado. A trajetória da Selic é definida pelo Copom, com base em inflação e atividade, e o próprio mercado projeta apenas dois cortes pequenos até dezembro.

Quanto custa alugar em Curitiba hoje

Segundo o Índice FipeZAP, o aluguel residencial em Curitiba ficou em R$ 44,49 por metro quadrado, com alta de 8,94% em doze meses e 6,29% apenas entre janeiro e setembro de 2026.

Outros índices mostram números ainda mais altos. O QuintoAndar Imovelweb apurou R$ 50,70 por metro quadrado em julho, com avanço de 10,7% em doze meses. A diferença vem da metodologia: um mede anúncio, outro combina anúncio e contrato.

Na prática, um apartamento de 70 m² na média da cidade sai por algo entre R$ 3.100 e R$ 3.550 por mês, sem condomínio. No Batel, o metro quadrado do aluguel chega a R$ 72,30 — cerca de 43% acima da média municipal.

O ponto importante: o aluguel está subindo mais rápido que a inflação. Em Curitiba, o IPCA-15 roda a 2,43% e o aluguel a quase 9%. Quem renova contrato sente essa diferença no bolso.

Quanto custa comprar em Curitiba hoje

O preço médio anunciado dos imóveis residenciais ficou em R$ 11.761 por metro quadrado em julho, conforme o FipeZAP. A variação em doze meses foi de 3,85%, mas no acumulado de 2026 o índice subiu apenas 0,32%.

Ou seja: o preço de compra está praticamente estável no ano, enquanto o aluguel disparou. Esse descasamento é o dado mais relevante deste texto.

Um apartamento de 70 m² na média custa cerca de R$ 823 mil. Com 20% de entrada, você financia R$ 658 mil. A 11% ao ano mais TR, em 30 anos, a parcela inicial fica na casa dos R$ 6.200.

Os bairros se comportam de forma bem diferente. O Batel tem o metro quadrado mais caro, a R$ 17.525. A CIC liderou a alta em doze meses, com 9,0% — bairro de entrada, procurado por quem está comprando o primeiro imóvel.

A conta que realmente decide

Coloque os dois lados na mesma régua, em base anual.

Alugar o apartamento de 70 m² custa cerca de R$ 37 mil por ano. Comprar significa uma parcela de R$ 6.200, ou R$ 74 mil por ano.

A diferença é de aproximadamente R$ 37 mil por ano a favor do aluguel no fluxo de caixa. Do outro lado, o comprador constrói patrimônio: cada parcela amortiza parte da dívida.

Se o imóvel valorizar no ritmo atual do FipeZAP, 3,85% ao ano, são cerca de R$ 31,7 mil no primeiro ano sobre R$ 823 mil. Ainda abaixo da diferença de fluxo de caixa.

Isso não significa que comprar seja pior. Significa que o prazo importa. Em horizontes curtos, o aluguel ganha na conta. Em horizontes longos, a amortização e a valorização composta viram o jogo — e a parcela, ao contrário do aluguel, não sobe com o índice.

Quando alugar tende a fazer mais sentido

Quando o horizonte é curto. Se você vai mudar de bairro, de cidade ou de emprego em menos de três anos, o custo de transação da compra — ITBI, escritura, registro — come o ganho.

Quando você ainda não sabe qual bairro é o seu. Morar de aluguel no bairro antes de comprar ali é a forma mais barata de testar deslocamento, ruído, comércio e vizinhança.

Quando a entrada compromete a reserva. Financiar sem reserva de emergência é o erro mais comum de quem compra o primeiro imóvel.

Quando comprar tende a fazer mais sentido

Quando o imóvel é o lugar onde você pretende ficar por mais de cinco anos. Nesse prazo, a amortização pesa mais que a diferença de fluxo de caixa.

Quando o aluguel que você paga hoje já se aproxima da parcela que pagaria. Em bairros de aluguel caro, como Batel e Água Verde, essa distância encurta.

Quando a valorização do bairro está acima da média. A CIC, com 9,0% em doze meses, é o exemplo atual — mas valorização passada não garante a futura, e o índice mede anúncio, não transação fechada.

Três pontos para levar

O aluguel em Curitiba subiu 8,94% em doze meses, enquanto o preço de compra ficou quase estável, com 0,32% no ano. Esse descasamento é a informação mais útil do momento.

A reeleição trouxe continuidade e reduziu incerteza, mas não altera a taxa do seu financiamento. A Selic em 13,75% e o crédito entre 10,26% e 11,99% seguem sendo o que define a parcela.

A decisão depende do prazo, não do cenário. Abaixo de três anos, alugar tende a ganhar na conta. Acima de cinco, a amortização muda o resultado.

Se você quer colocar seus números nessa conta — aluguel atual, valor do imóvel pretendido, entrada disponível e prazo —, a equipe da AKG Imóveis faz essa simulação com você, sem compromisso.

Fontes: IBGE (IPCA-15 out/2026), Banco Central/Focus (26/10/2026), FipeZAP (jul/2026), QuintoAndar Imovelweb (jul/2026), Abecip (out/2026), TSE (25/10/2026).

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